Em 9 de junho de 2015, o jornalista Denis Pagani publicou um texto sobre a marca Realindo que vai além de uma simples apresentação de produtos: trata-se de um registro sensível sobre memória, família e criação. Conhecido por sua atuação em veículos como a Folha de S.Paulo e a revista ELLE Brasil, Pagani construiu uma trajetória voltada à cobertura de moda, comportamento e projetos autorais, frequentemente destacando iniciativas que articulam estética e narrativa pessoal. Nesse contexto, seu olhar sobre a Realindo evidencia justamente aquilo que torna a marca singular: a transformação de histórias familiares em linguagem olfativa.

No artigo, Pagani apresenta a Realindo como uma extensão da trajetória de Bruno Dalto, cuja relação com o “fazer” vem de uma herança familiar profundamente enraizada. Ele destaca que o criador sempre esteve envolvido com processos produtivos — desde vender cadernos na faculdade até produzir telas —, algo que dialoga diretamente com o histórico de seus pais e avós. A marca, portanto, não surge como um empreendimento isolado, mas como continuidade de uma cultura doméstica de criação e trabalho manual. Essa dimensão aparece sintetizada logo no início do texto, quando Pagani afirma: “Realindo é a história da família de Bruno Dalto, que ele homenageou criando perfumes de ambiente.”

A narrativa se aprofunda ao abordar a figura de Realindo Ferreira do Nascimento, avô que dá nome à marca. Sua presença é marcada paradoxalmente pela ausência: não há fotografias, documentos ou registros concretos, apenas relatos fragmentados e objetos remanescentes, como suas ferramentas de barbeiro. Essa lacuna se torna um ponto de partida criativo. O perfume “Realindo”, descrito como verde e fresco, remetendo à laranja antes de amadurecer, funciona como uma tentativa de construir um retrato sensorial a partir de vestígios — uma memória que não se vê, mas se sente.

Outras fragrâncias seguem essa lógica de homenagem e tradução afetiva. “Jacira”, nome da avó, é inspirada em uma imagem dela em um jardim florido, resultando em um floral leve e transparente. Já “Leonina Goltara Dalto”, avó que participou diretamente da criação dos netos, é evocada por meio de notas que remetem ao universo infantil, como o talco, sugerindo cuidado, proximidade e acolhimento. Em todos os casos, o perfume atua como um signo que condensa experiências, imagens e relações familiares, deslocando-se do campo puramente estético para um território simbólico mais amplo.

Pagani também situa a marca dentro de um circuito específico de consumo e curadoria em São Paulo, mencionando pontos de venda como a B.Luxo, a Choix e a À La Garçonne. Essa inserção reforça o posicionamento da Realindo em um universo ligado à moda autoral e ao design independente, onde o valor do produto está tanto na sua materialidade quanto na narrativa que o sustenta.

O que torna o texto relevante, ainda hoje, é a forma como ele reconhece o perfume não apenas como objeto de consumo, mas como meio de expressão. Ao escrever sobre a Realindo, Denis Pagani evidencia um tipo de produção em que o cheiro se torna linguagem e a memória, matéria-prima. Seu artigo registra um momento em que a perfumaria se aproxima de outras práticas criativas — como a moda e o design — para construir discursos sensíveis sobre identidade, herança e presença.

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