• Por que pesquiso perfumaria e moda?

    Vivemos em uma época em que quase tudo é visto antes de ser sentido. As imagens atravessam nossas telas em uma velocidade cada vez maior, enquanto experiências que dependem da presença, do tempo e do corpo parecem perder espaço. Foi justamente essa constatação que me levou a investigar um objeto frequentemente tratado como um simples acessório de beleza, mas que, na verdade, revela muito sobre a maneira como construímos nossa cultura: o perfume.

    Ao longo da minha pesquisa de mestrado, procurei compreender por que a moda produz perfumes e por que eles ocupam um lugar tão importante em nossas vidas. Descobri que um perfume nunca é apenas uma mistura de matérias-primas aromáticas. Assim como uma roupa, uma fotografia ou uma obra de arte, ele comunica valores, cria narrativas e participa da construção da nossa identidade. O cheiro que escolhemos usar fala sobre quem somos, sobre quem desejamos ser e sobre a forma como queremos nos relacionar com o mundo.

    Mas essa pesquisa também mostrou que o significado de um perfume não está apenas dentro do frasco. Ele nasce do encontro entre a fragrância, a memória, o corpo, os afetos e o contexto de cada pessoa. É por isso que um mesmo aroma pode despertar lembranças completamente diferentes em indivíduos distintos. Mais do que reconhecer notas olfativas, sentir um perfume é reconhecer experiências vividas.

    Ao investigar a relação entre perfume e moda, percebi que ambos compartilham a mesma função cultural: transformar matéria em linguagem. A moda veste o corpo; o perfume veste a memória. Enquanto as roupas constroem uma imagem visível, os aromas constroem uma presença invisível, mas profundamente significativa. Ambos nos ajudam a contar histórias antes mesmo que qualquer palavra seja pronunciada.

    Talvez a maior descoberta dessa pesquisa tenha sido perceber que o perfume nos ensina algo que vai muito além da perfumaria. Em um mundo que valoriza cada vez mais aquilo que pode ser visto, medido e compartilhado, o olfato nos lembra da existência de experiências que só fazem sentido quando são vividas. Não podemos fotografar um cheiro, enviá-lo por uma mensagem ou reproduzi-lo em uma tela. Para senti-lo, é preciso estar presente.

    Por isso, acredito que estudar o perfume é, no fundo, estudar uma forma de resistência. Resistência à superficialidade das imagens, à aceleração do cotidiano e à ilusão de que tudo pode ser traduzido em dados. O perfume nos recorda que somos seres sensíveis antes de sermos consumidores, espectadores ou usuários de tecnologia. Ele nos convida a desacelerar, a perceber aquilo que normalmente passa despercebido e a reconhecer que as experiências mais transformadoras da vida, muitas vezes, são justamente aquelas que não podem ser explicadas por completo.

    Preservar a nossa capacidade de sentir talvez seja uma das tarefas mais importantes do nosso tempo. Porque, quanto mais digital se torna o mundo, mais valiosas se tornam as experiências que exigem presença. E talvez seja justamente nelas que continuemos encontrando aquilo que nos faz profundamente humanos.

  • O que um perfume faz em um mestrado em Têxtil e Moda?

    Quando conto que estou desenvolvendo uma pesquisa sobre perfumes no Programa de Pós-Graduação em Têxtil e Moda da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), uma pergunta aparece com frequência:

    “Mas perfume tem a ver com moda?”

    A resposta é sim — e muito mais do que parece à primeira vista.

    Durante muito tempo, a moda foi entendida principalmente como o estudo das roupas e dos tecidos. Hoje, porém, pesquisadores reconhecem que ela é um fenômeno cultural muito mais amplo. A moda não produz apenas vestimentas; ela produz identidades, comportamentos, estilos de vida e maneiras de se relacionar com o mundo.

    É justamente por isso que grandes marcas de moda não criam apenas roupas. Elas também desenvolvem bolsas, calçados, joias, óculos, móveis, hotéis e perfumes. Todos esses produtos fazem parte de um mesmo universo criativo e comunicam os valores da marca por diferentes linguagens.

    O perfume ocupa um lugar especial nesse processo.

    Enquanto uma roupa comunica por meio das formas, cores e materiais, a fragrância acrescenta uma dimensão que a moda sozinha não consegue alcançar: o olfato. Ela transforma em experiência sensorial aquilo que antes era percebido apenas pelos olhos e pelo toque.

    Por isso, estudar perfumes é também estudar moda.

    Minha pesquisa, desenvolvida no mestrado em Têxtil e Moda da EACH-USP, sob orientação da Prof.ª Dr.ª Claudia Vicentini, parte justamente dessa perspectiva. O objetivo não é investigar a química das fragrâncias nem ensinar técnicas de perfumaria, mas compreender como os perfumes produzidos por marcas de moda brasileiras comunicam significados, constroem identidades e ampliam o discurso criativo dessas marcas.

    Para responder a essas questões, utilizo a Semiótica Discursiva, proposta por Algirdas Julien Greimas, que oferece instrumentos para compreender como os sentidos são construídos em diferentes linguagens. Também recorro às contribuições de Jacques Fontanille, que amplia esse olhar ao mostrar que os significados não estão apenas nos objetos, mas também nas práticas sociais, nas estratégias e nas formas de vida das quais eles participam.

    Essa abordagem permite compreender que um perfume não é apenas um aroma agradável. Ele faz parte de um projeto criativo maior. Seu nome, seu frasco, sua embalagem, sua comunicação visual e sua fragrância trabalham juntos para expressar a identidade de uma marca e criar uma experiência coerente com seu universo estético.

    Escolhi desenvolver essa pesquisa porque acredito que a perfumaria ainda é pouco explorada pelos estudos de moda no Brasil, apesar de ocupar um papel cada vez mais importante na construção das marcas e na relação entre consumidores e identidade. Os perfumes deixaram de ser apenas produtos licenciados e passaram a ser uma das formas mais sofisticadas de comunicação da moda contemporânea.

    Estudar esse fenômeno dentro de um programa de Têxtil e Moda significa reconhecer que a moda vai muito além das roupas. Ela também pode ser vista, tocada, ouvida e, sobretudo, sentida.

    Ao longo desta série de artigos, vou compartilhar algumas das reflexões desenvolvidas durante a pesquisa, mostrando como a moda pode ser compreendida também por meio do olfato e como um simples frasco de perfume pode revelar aspectos importantes da cultura, do design, do consumo e da construção das identidades.


    Referências

    GRUMBACH, Didier. Histórias da Moda. São Paulo: Cosac Naify, 2009.

    LIPOVETSKY, Gilles. O Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

    SOUZA, Gilda de Mello e. O Espírito das Roupas: a moda no século dezenove. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

    FONTANILLE, Jacques. Práticas semióticas. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2008.

    GREIMAS, Algirdas Julien; COURTÉS, Joseph. Dicionário de Semiótica. São Paulo: Contexto, 2016.

  • Quando a moda ganhou cheiro: por que os estilistas começaram a criar perfumes?

    Os perfumes acompanham a humanidade há milhares de anos. Civilizações como a egípcia, a grega e a romana utilizavam substâncias aromáticas em rituais religiosos, práticas medicinais e cuidados com o corpo. Ao longo dos séculos, a perfumaria evoluiu acompanhando as transformações sociais, tornando-se símbolo de status, refinamento e identidade. No século XX, porém, ela passou por uma mudança importante: o perfume deixou de ser apenas um produto da indústria da perfumaria para tornar-se também uma expressão da moda.

    Essa aproximação não aconteceu por acaso. Ela está relacionada à própria maneira como entendemos o que é moda.

    Embora seja frequentemente associada às roupas, a moda é um fenômeno cultural muito mais amplo. Para o filósofo Gilles Lipovetsky (1989), a moda caracteriza a sociedade moderna por seu constante desejo de renovação, inovação e individualização. Mais do que vestir o corpo, ela produz estilos de vida e formas de expressão.

    No Brasil, Gilda de Mello e Souza (1987) demonstra que o vestuário funciona como uma linguagem capaz de comunicar posição social, valores, gostos e identidades. Escolher uma roupa é também escolher uma forma de se apresentar ao mundo.

    Essa compreensão é ampliada por Didier Grumbach (2009), que observa como as marcas de moda contemporâneas deixaram de produzir apenas roupas para construir universos completos de significado. O consumidor já não compra somente uma peça de vestuário, mas uma narrativa, um estilo de vida e uma identidade que podem se manifestar em diferentes produtos.

    É nesse contexto que o perfume ganha um papel central.

    Quando um estilista cria uma coleção, ele traduz sua visão criativa por meio de tecidos, modelagens, cores e formas. O perfume permite que essa mesma identidade seja expressa por outra linguagem: o olfato. Em vez de reproduzir uma roupa, a fragrância prolonga seu discurso, transformando em experiência sensorial aquilo que antes era percebido apenas visualmente.

    Por isso, o perfume pode ser entendido como uma extensão da criação do estilista. Ele amplia o universo simbólico da marca e permite que seus valores continuem sendo comunicados mesmo quando não há uma peça de roupa em cena.

    Essa estratégia também tornou a moda mais acessível. Enquanto poucas pessoas podem adquirir uma peça de alta-costura, um perfume oferece a possibilidade de participar daquele universo criativo por um custo muito menor. Em muitos casos, a fragrância torna-se o primeiro contato do consumidor com uma marca de moda.

    É justamente essa relação entre moda e perfumaria que investigo em minha pesquisa de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Têxtil e Moda da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), sob orientação da Prof.ª Dr.ª Claudia Vicentini.

    A pesquisa analisa os perfumes lançados por marcas de moda brasileiras utilizando a Semiótica Discursiva, proposta por Algirdas Julien Greimas, para compreender como essas fragrâncias constroem significados por meio de diferentes linguagens. Ao mesmo tempo, recorre às contribuições de Jacques Fontanille, cuja teoria permite ampliar a análise para as práticas sociais, estratégias e formas de vida nas quais esses perfumes circulam.

    Sob essa perspectiva, um perfume não é apenas uma composição aromática. Ele é uma forma de comunicação que expressa a identidade de uma marca e participa da construção de experiências culturais. Quando uma grife lança uma fragrância, ela não está apenas entrando em um novo segmento de mercado: está expandindo sua linguagem para além das roupas e permitindo que sua criação também seja percebida pelo olfato.

    É por isso que, na moda, o perfume dificilmente é um simples acessório. Assim como uma coleção, ele também conta histórias, comunica valores e ajuda a construir a identidade de quem o usa.


    Referências

    GRUMBACH, Didier. Histórias da Moda. São Paulo: Cosac Naify, 2009.

    LIPOVETSKY, Gilles. O Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

    SOUZA, Gilda de Mello e. O Espírito das Roupas: a moda no século dezenove. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

  • O perfume fala. A questão é: sabemos escutá-lo?

    Quando alguém experimenta um perfume, quase sempre faz a mesma pergunta: “Qual é o cheiro?”. É uma pergunta natural, mas talvez ela seja pequena demais.

    E se perguntássemos: o que esse perfume está dizendo?

    Pode parecer estranho imaginar que um perfume comunica alguma coisa. Afinal, ele não fala, não escreve e não produz imagens. Ainda assim, basta pensar em quantas vezes uma fragrância nos fez lembrar uma pessoa, um lugar ou um momento da vida para perceber que ela é capaz de produzir sentidos muito antes de conseguirmos descrever suas notas olfativas.

    Foi justamente essa inquietação que deu origem à pesquisa que venho desenvolvendo como mestrando em Têxtil e Moda na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), sob orientação da Prof.ª Dr.ª Claudia Vicentini.

    A pesquisa procura compreender os perfumes para além de suas características aromáticas. Em vez de perguntar apenas “como esse perfume cheira?”, ela investiga como um perfume produz significado.

    Essa mudança de perspectiva transforma completamente o objeto de estudo.

    Um perfume deixa de ser entendido apenas como uma mistura de matérias-primas aromáticas e passa a ser visto como um objeto cultural. Seu frasco, seu nome, sua embalagem, sua publicidade, a história da marca, os lugares onde é vendido, as pessoas que o usam e até os momentos em que ele é aplicado participam da construção de uma mesma narrativa.

    Em outras palavras, o cheiro é apenas uma das linguagens do perfume.

    Para compreender essa narrativa, a pesquisa utiliza a Semiótica Discursiva, desenvolvida por Algirdas Julien Greimas. Em linhas gerais, essa teoria busca compreender como os sentidos são construídos. Em vez de analisar elementos isolados, ela investiga as relações que fazem um objeto significar alguma coisa para alguém.

    Aplicada à perfumaria, essa perspectiva permite observar como os diferentes elementos que compõem um perfume — sua fragrância, identidade visual, textos, imagens e posicionamento — trabalham em conjunto para comunicar valores, emoções e formas de perceber o mundo.

    Mas compreender um perfume exige olhar também para aquilo que acontece fora dele.

    É por isso que a pesquisa incorpora as contribuições de Jacques Fontanille, cuja ampliação da teoria semiótica oferece ferramentas para compreender não apenas os objetos, mas também as práticas, as estratégias e as formas de vida nas quais esses objetos estão inseridos.

    Sob esse olhar, o perfume deixa de ser apenas algo que está dentro de um frasco. Ele passa a ser entendido como parte de um conjunto de práticas culturais: o ritual de se perfumar antes de sair de casa, a lembrança afetiva associada a uma fragrância, a construção de uma identidade pessoal, a relação entre uma marca de moda e seus consumidores, ou mesmo a maneira como determinadas fragrâncias passam a representar épocas, estilos ou modos de viver.

    Assim, a pesquisa reúne duas perspectivas complementares. Enquanto Greimas oferece instrumentos para compreender como os sentidos são construídos no próprio discurso do perfume, Fontanille permite acompanhar esses sentidos em circulação, mostrando como eles se manifestam nas práticas sociais e nas formas de vida.

    O corpus da pesquisa é formado pelos perfumes lançados por marcas de moda brasileiras. Eles foram escolhidos porque representam um fenômeno particularmente interessante: nessas marcas, o perfume não funciona apenas como um produto licenciado, mas como uma extensão da linguagem da moda. A fragrância amplia para o olfato aquilo que antes era comunicado pelas roupas, pelas campanhas e pelo universo simbólico da marca.

    Mais do que analisar perfumes específicos, esta pesquisa procura compreender como essas fragrâncias participam da construção de identidades, sensibilidades e experiências culturais.

    Este artigo inaugura uma série em que compartilharei, em linguagem acessível, algumas das reflexões desenvolvidas durante meu mestrado. A proposta não é transformar o leitor em um especialista em semiótica, mas mostrar que existe uma maneira diferente de olhar para a perfumaria.

    Depois que entendemos que um perfume produz significados, dificilmente voltamos a enxergá-lo apenas como um cheiro.


    Referências

    BARROS, Diana Luz Pessoa de. Teoria semiótica do texto. 5. ed. São Paulo: Ática, 2011.

    FIORIN, José Luiz. Elementos de análise do discurso. 15. ed. São Paulo: Contexto, 2008.

    FONTANILLE, Jacques. Práticas semióticas. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2008.

    FONTANILLE, Jacques. Formas de vida. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2015.

    GREIMAS, Algirdas Julien; COURTÉS, Joseph. Dicionário de Semiótica. São Paulo: Contexto, 2016.

    LANDOWSKI, Eric. Interações Arriscadas. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2014.

  • Muito além do cheiro: uma pesquisa sobre como os perfumes produzem significado

    Quando pensamos em um perfume, é natural imaginar apenas sua fragrância. Afinal, o cheiro é sua característica mais evidente. Mas será que um perfume comunica apenas por meio do olfato? O que existe por trás de um frasco, de um nome, de uma campanha publicitária ou da escolha de determinados ingredientes? Essas perguntas deram origem à pesquisa de mestrado que venho desenvolvendo no Programa de Pós-Graduação em Têxtil e Moda da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), sob orientação da professora Claudia Vicentini.

    Meu nome é Bruno Dalto do Nascimento e esta pesquisa parte da ideia de que os perfumes podem ser compreendidos como objetos culturais. Mais do que produtos destinados a perfumar o corpo, eles carregam histórias, valores, memórias, estilos de vida e formas de perceber o mundo. Assim como uma obra de arte, uma peça de roupa ou um filme, um perfume também comunica, ainda que essa comunicação aconteça por diferentes linguagens ao mesmo tempo.

    Para investigar essa dimensão, a pesquisa concentra-se nos perfumes desenvolvidos por marcas de moda brasileiras. Nessas marcas, a fragrância não costuma ser apenas um produto adicional do catálogo, mas uma extensão da identidade construída pela moda. Ela traduz em aromas aquilo que antes era expresso pelas roupas, pelos desfiles, pelas campanhas e pelo universo simbólico da marca. O perfume passa, então, a integrar uma narrativa mais ampla, que envolve aspectos estéticos, culturais, econômicos e afetivos.

    A principal ferramenta utilizada para compreender essa construção de sentidos é a Semiótica Discursiva, desenvolvida por Algirdas Julien Greimas. Diferentemente da ideia popular de que a semiótica estuda apenas símbolos, essa corrente busca compreender como os significados são produzidos a partir das relações estabelecidas entre diferentes elementos de um discurso. No caso da perfumaria, isso significa analisar como o cheiro, o frasco, o nome, a embalagem, a comunicação visual e os textos da marca atuam em conjunto para construir uma determinada experiência de sentido.

    Entretanto, compreender apenas o perfume enquanto objeto não é suficiente. É preciso observar também o ambiente em que ele circula, as práticas de consumo, as relações estabelecidas com os usuários e o contexto cultural que permite que determinados significados sejam compartilhados. É nesse ponto que a pesquisa incorpora as contribuições da Semiótica das Práticas, desenvolvida por Jacques Fontanille.

    Fontanille propõe que os sentidos não estão contidos apenas nos objetos, mas emergem das relações que eles estabelecem com os sujeitos, com as práticas sociais e com as formas de vida das quais fazem parte. Em vez de analisar exclusivamente um frasco ou uma fragrância de maneira isolada, torna-se possível compreender como o perfume participa de rituais cotidianos, constrói vínculos afetivos, representa identidades e ocupa diferentes posições dentro da cultura. Essa perspectiva amplia significativamente o olhar sobre a perfumaria, permitindo entender o perfume não apenas como um produto, mas como um fenômeno social e cultural.

    Ao reunir as contribuições de Greimas e Fontanille, a pesquisa procura interpretar o perfume em diferentes níveis. De um lado, investiga como seus elementos visuais, verbais e olfativos produzem significados. De outro, procura compreender como esses significados são ativados nas práticas de uso, nas relações entre consumidores e marcas e nos modos de vida que essas fragrâncias ajudam a construir e representar.

    Essa abordagem revela que um perfume nunca é apenas uma combinação de matérias-primas aromáticas. Ele é resultado de escolhas estéticas, estratégias de comunicação, referências culturais e experiências sensíveis que se articulam para produzir sentidos. O cheiro é apenas uma parte dessa construção.

    Esta série de artigos nasce justamente do desejo de compartilhar essa forma de olhar para a perfumaria. Ao longo dos próximos textos, apresentarei, em uma linguagem acessível, alguns dos conceitos discutidos na pesquisa de mestrado, mostrando como a semiótica pode revelar aspectos dos perfumes que normalmente passam despercebidos. Espero que, ao final dessa jornada, cada fragrância deixe de ser vista apenas como algo que perfuma e passe a ser compreendida como uma narrativa capaz de comunicar identidades, despertar memórias e expressar formas de viver.

    Referências

    BARROS, Diana Luz Pessoa de. Teoria semiótica do texto. 5. ed. São Paulo: Ática, 2011.

    FIORIN, José Luiz. Elementos de análise do discurso. 15. ed. São Paulo: Contexto, 2008.

    FONTANILLE, Jacques. Práticas semióticas. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2008.

    FONTANILLE, Jacques. Formas de vida. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2015.

    GREIMAS, Algirdas Julien; COURTÉS, Joseph. Dicionário de Semiótica. São Paulo: Contexto, 2016.

    LANDOWSKI, Eric. Interações Arriscadas. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2014.

    NASCIMENTO, Bruno Dalto do. Pesquisa de mestrado em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Têxtil e Moda da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), sob orientação da Prof.ª Dr.ª Claudia Vicentini.

  • Como usar um difusor de ambientes: dicas para perfumar sua casa por mais tempo

     

    difusor de ambientes realindo

     

    O difusor de ambientes é uma das formas mais práticas e elegantes de manter a casa perfumada continuamente. Diferente dos sprays, que oferecem uma perfumação imediata, o difusor libera a fragrância aos poucos, criando uma atmosfera agradável durante semanas. Se você quer aproveitar ao máximo o seu Difusor de Ambientes Realindo, confira como ele funciona e algumas dicas para prolongar sua performance.

    Como funciona um difusor de ambientes?

    O funcionamento do difusor é simples, mas bastante engenhoso. As varetas de fibra ou madeira ficam parcialmente mergulhadas no líquido perfumado. Por meio da capilaridade, o perfume sobe pelos pequenos canais internos das varetas até alcançar a extremidade exposta ao ar. Nesse ponto, a fragrância evapora lentamente, espalhando o aroma de maneira constante pelo ambiente.

    É justamente por isso que as varetas são uma parte essencial do difusor: elas regulam a quantidade de fragrância que será liberada no espaço.

    Preciso virar as varetas?

    Sim, mas não todos os dias.

    Ao virar as varetas, a parte que estava mergulhada no líquido passa a ficar exposta ao ar, aumentando temporariamente a intensidade da perfumação. Para manter um aroma equilibrado, a recomendação é inverter as varetas uma ou duas vezes por semana.

    Se preferir uma fragrância mais intensa, você pode fazer isso com maior frequência. Apenas tome cuidado para não derramar o líquido durante a troca.

    Quantas varetas devo usar?

    A quantidade de varetas influencia diretamente na intensidade da fragrância.

    • Todos os palitos: perfumação mais intensa, ideal para salas amplas e ambientes integrados.
    • Metade das varetas: perfume mais suave e maior duração do refil.
    • Ambientes pequenos, como lavabos ou escritórios, geralmente precisam de menos varetas para alcançar um resultado agradável.

    Os Difusores de Ambientes Realindo acompanham o número ideal de varetas para proporcionar uma difusão equilibrada, mas você pode ajustar essa quantidade conforme o tamanho do ambiente.

    Onde colocar o difusor?

    A localização faz toda a diferença.

    O ideal é posicionar o difusor em locais onde exista uma leve circulação de ar, como aparadores, mesas laterais, estantes ou halls de entrada. Assim, o perfume se espalha naturalmente pelo ambiente.

    Evite deixá-lo diretamente sob o sol, próximo a janelas com incidência intensa de luz ou muito perto de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores. O calor acelera a evaporação do líquido, reduzindo sua durabilidade.

    Como fazer o difusor durar mais?

    Alguns cuidados simples ajudam a preservar a fragrância por mais tempo:

    • Evite exposição direta ao sol.
    • Mantenha o frasco sempre na posição vertical.
    • Utilize apenas a quantidade de varetas necessária para o ambiente.
    • Vire as varetas apenas quando desejar reforçar a perfumação.
    • Limpe eventuais resíduos que possam se formar na boca do frasco.

    Escolha a fragrância ideal para cada ambiente

    Cada espaço da casa pode transmitir uma sensação diferente através do perfume.

    Fragrâncias verdes e cítricas, como o Difusor de Ambientes Realindo, são excelentes para salas, cozinhas e halls de entrada, trazendo uma sensação de limpeza, natureza e frescor. Já perfumes mais florais criam ambientes acolhedores, enquanto fragrâncias amadeiradas proporcionam conforto e sofisticação para quartos e escritórios.

    Na coleção da Realindo, cada difusor foi desenvolvido para transformar o ambiente por meio da memória olfativa e do perfume, criando espaços que acolhem e despertam lembranças afetivas.

    Perfume que faz parte da rotina

    O difusor de ambientes é um objeto discreto, mas capaz de transformar completamente a percepção de um espaço. Com pequenos cuidados no uso e na manutenção das varetas, é possível aproveitar a fragrância por muito mais tempo.

    Se você procura um perfume contínuo, elegante e inspirado nas memórias afetivas, conheça a linha de Difusores de Ambientes Realindo e descubra como cada fragrância pode fazer parte da história da sua casa.

     

    como usar o difusor de ambientes realindo de palitos

  • Porque a Realindo não utiliza nomes na sua olfateca?

    A oficina de perfumaria da Realindo parte da ideia de que o cheiro não é apenas uma informação química percebida pelo nariz. Ele também é atravessado por memórias, símbolos, experiências culturais e construções subjetivas. Por isso, a olfateca utilizada durante a oficina não apresenta os nomes dos cheiros aos participantes. Essa escolha não é uma ausência de informação, mas uma metodologia de sensibilização olfativa.

    Quando sentimos um aroma identificado previamente como “baunilha”, “lavanda” ou “madeira”, nosso cérebro imediatamente ativa associações já conhecidas. Antes mesmo de percebermos as nuances do cheiro, começamos a acessá-lo por meio de memórias, referências culturais, publicidade, gostos pessoais e narrativas construídas ao longo da vida. O nome passa a orientar a experiência.

    Estudos sobre linguagem, símbolos e percepção mostram que palavras e narrativas ativam rapidamente o sistema límbico, região ligada às emoções, às memórias e às respostas afetivas. Isso significa que não apenas o cheiro em si, mas também o discurso sobre ele, influencia profundamente a forma como ele é sentido. Na publicidade da perfumaria, por exemplo, nomes, campanhas e storytelling frequentemente moldam a percepção do perfume antes mesmo da primeira borrifada.

    Ao retirar os nomes da olfateca, a oficina da Realindo propõe um deslocamento dessa lógica. A intenção é criar um encontro mais direto entre o participante e a experiência sensível do cheiro. Em vez de reconhecer imediatamente uma matéria-prima através da linguagem, a pessoa é convidada a perceber texturas, sensações, atmosferas, temperaturas afetivas e memórias pessoais despertadas pelo aroma.

    Essa prática também dialoga com estudos da semiótica e da estética, que compreendem o sentido como algo construído não apenas pela materialidade do estímulo, mas pela relação entre percepção, cultura e interpretação. O cheiro deixa de ser apenas um objeto identificado racionalmente e passa a ser vivido como experiência.

    Na oficina, isso transforma o processo criativo. Sem a mediação imediata dos nomes, os participantes desenvolvem uma escuta olfativa mais aberta, intuitiva e autoral. Muitas vezes, um mesmo aroma desperta imagens completamente diferentes em cada pessoa. Um cheiro pode remeter à infância para alguém e à paisagem urbana para outro. Essa pluralidade de leituras é valorizada como parte fundamental da criação perfumística.

    E o resultado nas oficinas é impressionante. O próprio aluno se surpreende com o resultado e com os aromas escolhidos e a diversidade de criações nas oficinas é muito maior.

    Se você ficou interessado em fazer a nossa oficina de perfumaria, acompanhe na página de matrícula as próximas turmas (por esse link)

  • Curso de Difusão na EACH USP: Oficina de Perfumaria

    No dia 18 de maio de 2026 será realizado o curso de difusão na EACH USP: Oficina de Perfumaria- o despertar do olfato para a criatividade

    Este curso tem o objetivo de disseminar os conhecimentos teóricos e práticos da perfumaria; propor uma interseção entre outras áreas do conhecimento e a sensação do olfato criando propostas multisensoriais, complexas e afetuosas e treinar e capacitar pessoas para uma maior sensibilidade do olfato, um sentido tão pouco estudado e trabalhado na academia.

    Procedimento de inscrição:

    – Realizar a inscrição on-line no Sistema Apolo até o dia 04 de maio e anexar a cópia do documento de identificação. Clique aqui

    Para mais informações sobre o curso clique aqui

  • Oficina de Perfumaria da Realindo: um exercício de criatividade

     

    Se você está buscando uma experiência criativa, sensorial e única, participar de uma oficina de perfumaria pode ser exatamente o que procura. Na Realindo, você aprende como fazer seu próprio perfume enquanto desenvolve a criatividade de forma prática, intuitiva e envolvente.

    Por que fazer uma oficina de perfumaria?

    Criar um perfume é mais do que misturar fragrâncias — é dar forma a ideias, memórias e sensações. Durante a oficina, você entra em contato com diferentes famílias olfativas, como notas florais, cítricas, amadeiradas e orientais, explorando combinações que refletem sua identidade.

    Essa prática estimula a criatividade porque não existem respostas certas. Cada escolha é parte de um processo autoral, onde experimentar, ajustar e descobrir fazem parte da construção do seu perfume exclusivo.

    Como funciona a oficina de perfumaria da Realindo

    A oficina foi pensada para quem deseja aprender perfumaria artesanal de forma acessível, mesmo sem experiência prévia. Você terá contato com diversas matérias-primas e será guiado em todas as etapas:

    • Introdução às notas olfativas e suas características
    • Experimentação de essências e acordes
    • Criação da sua fragrância personalizada
    • Ajustes e finalização do perfume

    Ao final, você leva para casa um perfume criado por você — uma experiência única que combina técnica e expressão pessoal.

    Criatividade na prática: um processo sensorial

    O olfato é um dos sentidos mais conectados à memória e à emoção. Por isso, ao criar um perfume, você ativa referências pessoais profundas, transformando lembranças em fragrâncias.

    Esse processo favorece a criatividade porque estimula a intuição e amplia o repertório sensorial. Você começa a reconhecer padrões nas suas escolhas, entender preferências e desenvolver um olhar mais sensível para aromas e combinações.

    Para quem é a oficina?

    A oficina de perfumaria da Realindo é ideal para:

    • Pessoas que buscam uma experiência criativa diferente
    • Interessados em perfumaria artesanal
    • Quem deseja criar um perfume exclusivo
    • Profissionais criativos em busca de novas referências sensoriais
    • Quem procura uma atividade original em São Paulo

    Não é necessário ter conhecimento prévio — apenas curiosidade e vontade de experimentar.

    Garanta sua vaga na oficina de perfumaria

    Se você quer aprender como criar seu próprio perfume e ainda desenvolver sua criatividade de forma prática, a oficina da Realindo é o lugar ideal.

    As vagas são limitadas para garantir uma experiência personalizada. Aproveite para viver esse processo sensorial e sair com um perfume único, feito por você.

    👉 Inscreva-se agora e descubra o poder criativo da perfumaria.

     

    Veja as turmas abertas nesse link Comprar Oficina em Realindo

  • Quando o jornalismo reconhece a memória: Denis Pagani e a Realindo

    Em 9 de junho de 2015, o jornalista Denis Pagani publicou um texto sobre a marca Realindo que vai além de uma simples apresentação de produtos: trata-se de um registro sensível sobre memória, família e criação. Conhecido por sua atuação em veículos como a Folha de S.Paulo e a revista ELLE Brasil, Pagani construiu uma trajetória voltada à cobertura de moda, comportamento e projetos autorais, frequentemente destacando iniciativas que articulam estética e narrativa pessoal. Nesse contexto, seu olhar sobre a Realindo evidencia justamente aquilo que torna a marca singular: a transformação de histórias familiares em linguagem olfativa.

    No artigo, Pagani apresenta a Realindo como uma extensão da trajetória de Bruno Dalto, cuja relação com o “fazer” vem de uma herança familiar profundamente enraizada. Ele destaca que o criador sempre esteve envolvido com processos produtivos — desde vender cadernos na faculdade até produzir telas —, algo que dialoga diretamente com o histórico de seus pais e avós. A marca, portanto, não surge como um empreendimento isolado, mas como continuidade de uma cultura doméstica de criação e trabalho manual. Essa dimensão aparece sintetizada logo no início do texto, quando Pagani afirma: “Realindo é a história da família de Bruno Dalto, que ele homenageou criando perfumes de ambiente.”

    A narrativa se aprofunda ao abordar a figura de Realindo Ferreira do Nascimento, avô que dá nome à marca. Sua presença é marcada paradoxalmente pela ausência: não há fotografias, documentos ou registros concretos, apenas relatos fragmentados e objetos remanescentes, como suas ferramentas de barbeiro. Essa lacuna se torna um ponto de partida criativo. O perfume “Realindo”, descrito como verde e fresco, remetendo à laranja antes de amadurecer, funciona como uma tentativa de construir um retrato sensorial a partir de vestígios — uma memória que não se vê, mas se sente.

    Outras fragrâncias seguem essa lógica de homenagem e tradução afetiva. “Jacira”, nome da avó, é inspirada em uma imagem dela em um jardim florido, resultando em um floral leve e transparente. Já “Leonina Goltara Dalto”, avó que participou diretamente da criação dos netos, é evocada por meio de notas que remetem ao universo infantil, como o talco, sugerindo cuidado, proximidade e acolhimento. Em todos os casos, o perfume atua como um signo que condensa experiências, imagens e relações familiares, deslocando-se do campo puramente estético para um território simbólico mais amplo.

    Pagani também situa a marca dentro de um circuito específico de consumo e curadoria em São Paulo, mencionando pontos de venda como a B.Luxo, a Choix e a À La Garçonne. Essa inserção reforça o posicionamento da Realindo em um universo ligado à moda autoral e ao design independente, onde o valor do produto está tanto na sua materialidade quanto na narrativa que o sustenta.

    O que torna o texto relevante, ainda hoje, é a forma como ele reconhece o perfume não apenas como objeto de consumo, mas como meio de expressão. Ao escrever sobre a Realindo, Denis Pagani evidencia um tipo de produção em que o cheiro se torna linguagem e a memória, matéria-prima. Seu artigo registra um momento em que a perfumaria se aproxima de outras práticas criativas — como a moda e o design — para construir discursos sensíveis sobre identidade, herança e presença.

    Segue o link para você ler o artigo completo e conhecer o blog 1NAriz A história maravilhosa de Realindo – 1 nariz | cursos de perfumaria, consultoria de perfume, resenha de perfumes importados