
A oficina de perfumaria da Realindo parte da ideia de que o cheiro não é apenas uma informação química percebida pelo nariz. Ele também é atravessado por memórias, símbolos, experiências culturais e construções subjetivas. Por isso, a olfateca utilizada durante a oficina não apresenta os nomes dos cheiros aos participantes. Essa escolha não é uma ausência de informação, mas uma metodologia de sensibilização olfativa.
Quando sentimos um aroma identificado previamente como “baunilha”, “lavanda” ou “madeira”, nosso cérebro imediatamente ativa associações já conhecidas. Antes mesmo de percebermos as nuances do cheiro, começamos a acessá-lo por meio de memórias, referências culturais, publicidade, gostos pessoais e narrativas construídas ao longo da vida. O nome passa a orientar a experiência.
Estudos sobre linguagem, símbolos e percepção mostram que palavras e narrativas ativam rapidamente o sistema límbico, região ligada às emoções, às memórias e às respostas afetivas. Isso significa que não apenas o cheiro em si, mas também o discurso sobre ele, influencia profundamente a forma como ele é sentido. Na publicidade da perfumaria, por exemplo, nomes, campanhas e storytelling frequentemente moldam a percepção do perfume antes mesmo da primeira borrifada.
Ao retirar os nomes da olfateca, a oficina da Realindo propõe um deslocamento dessa lógica. A intenção é criar um encontro mais direto entre o participante e a experiência sensível do cheiro. Em vez de reconhecer imediatamente uma matéria-prima através da linguagem, a pessoa é convidada a perceber texturas, sensações, atmosferas, temperaturas afetivas e memórias pessoais despertadas pelo aroma.
Essa prática também dialoga com estudos da semiótica e da estética, que compreendem o sentido como algo construído não apenas pela materialidade do estímulo, mas pela relação entre percepção, cultura e interpretação. O cheiro deixa de ser apenas um objeto identificado racionalmente e passa a ser vivido como experiência.
Na oficina, isso transforma o processo criativo. Sem a mediação imediata dos nomes, os participantes desenvolvem uma escuta olfativa mais aberta, intuitiva e autoral. Muitas vezes, um mesmo aroma desperta imagens completamente diferentes em cada pessoa. Um cheiro pode remeter à infância para alguém e à paisagem urbana para outro. Essa pluralidade de leituras é valorizada como parte fundamental da criação perfumística.
E o resultado nas oficinas é impressionante. O próprio aluno se surpreende com o resultado e com os aromas escolhidos e a diversidade de criações nas oficinas é muito maior.
Se você ficou interessado em fazer a nossa oficina de perfumaria, acompanhe na página de matrícula as próximas turmas (por esse link)
